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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Projeto Minha Casa Eficiente


Eficiência energética, uso racional da água, preferência por materiais ecologicamente corretos e preservação ambiental estão entre os principais fatores que definem uma casa sustentável, conceito que vem se difundindo no Brasil, principalmente, nos últimos dois anos.
A Casa Eficiente é uma proposta inovadora que funciona como ambiente para a demonstração e para o desenvolvimento de atividades de ensino e pesquisa no âmbito da construção civil. A construção sustentável representa uma nova realidade para os projetos em construção civil.
Dessa forma, alunos da EMEF Profa. Adelaide Pedroso Racanello apresentaram, sob a orientação da Profa. Juliana Ribas Damasceno, o Projeto Minha Casa Eficiente a partir de maquetes construídas com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de soluções inovadoras e eficientes na construção civil. A Casa Eficiente apresenta como meta o uso racional da energia elétrica com o objetivo de um menor impacto ambiental.
O projeto possui sistemas e soluções integradas para eficiência energética e conforto térmico, incluindo tecnologias como geração de energia fotovoltaica interligada à rede, estratégias passivas de condicionamento de ar e aquecimento solar de água. Além de estratégias para o uso eficiente da água, tais como o aproveitamento da água de chuva, reutilização de águas e utilização de equipamentos que proporcionam baixo consumo de água.
 Segundo as alunas Ana Fittipaldi, Ana Nogueira e Luiane Ferrari, “Nós não precisamos só de uma casa eficiente, mas também de uma mentalidade ecológica”.
No mesmo sentido, para as alunas Ana Luiza Bianchi Aquino, Gabriyelly dos Santos Rocha e Laura Oliveira Perassi, “Se você tem metas para um ano, plante arroz. Se você tem metas para 10 anos, plante uma árvore. Se você tem metas para 100 anos, então eduque uma criança. Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio ambiente” Confúcio.
Os alunos Hélio Sadao Takasu e Ruanitto Roberto Docini ressaltaram as vantagens do projeto: “Utilizamos o sistema de energia solar para aquecer a água, o máximo de portas e janelas para deixar a casa arejada e bem iluminada economizando, assim, o uso de energia elétrica; optamos pelo uso do tijolo ecológico para dar à obra maior rapidez e uma estrutura mais segura”. Para os alunos é necessário “Criar um ambiente onde o homem possa viver em harmonia com natureza, conforto e eficiência”.
Parabéns aos alunos da Profa. Adelaide Pedroso pela pesquisa realizada e à Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos que proporcionou formação aos professores para que a atividade pudesse se realizar.

 




sábado, 3 de setembro de 2011

O TORCEDOR, Carlos Drummond de Andrade

O Torcedor é um conto onde o grande Carlos Drummond de Andrade –  um dos maiores poetas da literatura brasileira – fala da emoção de ser torcedor do Flamengo.
Como é bom ser Flamengo!

No jogo de decisão do campeonato, Eváglio torceu pelo Atlético Mineiro, não porque fosse atleticano ou mineiro, mas porque receava o carnaval nas ruas se o Flamengo vencesse.
Visitava um amigo em bairro distante, nenhum dos dois tem carro, e ele previa que a volta seria problema. O Flamengo triunfou, e Eváglio deixou de ser atleticano para detestar todos os clubes de futebol, que perturbam a vida urbana com suas vitórias. Saindo em busca de táxi inexistente, acabou se metendo num ônibus em que não cabia mais ninguém, e havia duas bandeiras rubro-negras para cada passageiro. E não eram bandeiras pequenas nem torcedores exaustos: estes pareciam terem guardado a capacidade de grito para depois da vitória.Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até mesmo dentro da bola chutada por 44 pés. A bola era ele, embora ninguém reparasse naquela esfera humana que ansiava por tornar a ser gente a caminho de casa.
Lembrando-se de que torcera pelo vencido, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos cantavam, sambavam com alegria tão pura que ele próprio começou a sentir um pouco de flamengo dentro de si. Era o canto? Eram braços e pernas falando além da boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e transformava. Marcou com a cabeça o acompanhamento da música. Abriu os lábios, simulando cantar. Cantou. Ao dar fé de si, disputava à morena frenética a posse de uma bandeira. Queria enrolar-se no pano para exteriorizar o ser partidário que pulava em suas entranhas. A moça, em vez de ceder o troféu, abraçou-se com Eváglio e beijou-o na boca. Estava batizado, crismado e ungido: uma vez Flamengo, sempre Flamengo.
O pessoal desceu na Gávea, empurrando Eváglio para descer também e continuar a festa, mas Eváglio mora em Ipanema, e já com o pé no estribo se lembrou. Loucura continuar flamengo a noite inteira à base de chope, caipirinha, batucada e o mais. Segurou firme na porta, gritou: "Eu volto, gente! Vou só trocar de roupa" e, não se sabe como, chegou intacto ao lar, já sem compromisso clubista.


ANDRADE, Carlos Drummond. De conto em conto, v. 2. São Paulo: Ática, 2001.

Medo - Cora Coralina

Não há nada de que a criatura humana tenha mais pavor do que de morto. Deve haver realmente e de forma obscura umas forças tremendas, invisíveis e imensuráveis da parte de quem morreu sobre aquele que anda firme na vida, anulando neste a capacidade de resistir á presença, ao contato ou á simples suspeita da aproximação daquele. Daí as inibições físicas e psíquicas, incontroladas, mesmo quando se trata de pessoas queridas que já se foram.
O pavor domina o vivo obliterando todo o mecanismo do raciocínio e a capacidade de indagação e pesquisa esclarecedora do sobrenatural quando este se apresenta espontaneamente. Falta aos mais destemidos e temerários a coragem de perguntar.
Nem os descrentes e corajosos e afoitos se sentem com a coragem de fazer perguntas ou indagar qualquer coisa quando o caso se apresenta.
Desse medo, medo obscuro, profundo e selvagem que a criatura não conseguiu disciplinar, surgem os casos trágicos, cômicos e humorísticos acontecidos com alguns mortos aparentes que tornaram á vida e até, mesmo, a simples aparência, suposições e engano, ligados á idéia da morte.
Viajava uma jardineira, expresso ou perua, como se diz, de Goiânia para Goianópolis. Levava na coberta, entre malas e trouxas, um caixão vazio de defunto, destinado para uma pessoa falecida naquele distrito.
Logo adiante na estrada, um homem parado, dá sinal e a perua pára.
Dentro, tudo cheio. O homem que precisava seguir sua viagem aceitou de viajar na coberta com os volumes e o caixão vazio. Subiu o tempo tinha se fechado para chuva e logo começou a pingar grosso. O sujeito em cima achou que não seria nada de mais ele entrar dentro do caixão e ali se defender da chuva. Pensou e melhor fez. Entrou, espichou bem as pernas, ajeitou a cabeça na almofadinha que ia dentro, puxou a tampa e, bem confortado, ouvia a chuva cair.
Mis adiante, dois outros esperavam condução. Deram sinal e a perua parou de novo; os homens subiram a escadinha e se acocoraram no alto. Iam conversando e molhados com a chuva fina e insistente.
Passado algum tempo que ia resguardado escutando a conversa ali em cima levantou devagarzinho a tampa do caixão e perguntou de dentro, só isto: ”Companheiro, será que a chuva já passou?”. Foi um salto só, que os dois embobados fizeram do coletivo, correndo.
Um quebrou a perna, o outro partiu braços e pernas e costelas e ficaram ambos estatelados do susto e sem fala, na estrada.


Obra: Deixa que eu conto
Editora: Global
Edição: 1ª edição
Ano: 2003

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

III Conferência Regional dos Direitos da Pessoa Idosa


A III Conferência Regional de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa foi realizada no dia 02 de setembro, nas dependências do Palácio da Cultura e na Entidade Lar São Vicente de Paulo, em Santa Cruz do Rio Pardo. A conferência teve como tema “O compromisso de todos por um envelhecimento digno no Brasil” e contou com a presença de autoridades locais e da região, representantes da sociedade civil e do setor público, escolhidos nos municípios de abrangência regionais, voluntários, idosos.
A conferência teve por objetivo debater temas relevantes para o campo do envelhecimento, no sentido de buscar uma longevidade saudável, assim como medir os avanços e desafios da Política Nacional do Idoso, na perspectiva de sua efetivação. Além disso, o evento buscou sensibilizar a sociedade brasileira para o contexto do envelhecimento da população brasileira e mobilizar a população do município e região, especialmente a idosa, para a conquista do direito ao envelhecimento com dignidade.
Os palestrantes ressaltaram a necessidade de fortalecer o compromisso dos diversos setores da sociedade e do governo, em defesa e garantia dos direitos da pessoa idosa, indicando prioridades de atuação para os órgãos governamentais, nas três esferas do governo. A conferência também teve como principal atribuição eleger 14 delegados para a XIII Conferência Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Estado de São Paulo, que será realizada nos dias 21, 22 e 23 de setembro no município de Águas de Lindoia.  
Com base na premissa de que “O idoso é um cidadão pleno de direitos”, os grupos de discussão elaboraram propostas centradas em eixos temáticos com a meta de pensar a pessoa idosa como cidadãos que precisam ser respeitados e conquistados pela sociedade brasileira. Para tanto, será preciso  buscar caminhos e contar com a participação e com a responsabilidade dos diversos setores que tratam das políticas de idosos. A conferência, ainda, foi uma oportunidade para que os idosos pudessem se posicionar junto aos representantes do poder público, do Judiciário e do Legislativo para que os gestores das diferentes políticas públicas pudessem debater e definir mudanças para um envelhecer com qualidade de vida.
O Conselho Municipal do Idoso de Ourinhos, sob a presidência do Conselheiro Dr. Elpídio Edson Ferraz e demais conselheiros, marcou presença no evento, com expressiva participação e atuação que tem conduzindo os trabalhos neste município, demonstrando fortalecimento da participação social e atenção integral à pessoa idosa.

A Essência da Poesia

Pensamento
Pablo Neruda Pablo Neruda Chile1904 // 1973 Poeta
 
Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio.
Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma acção passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a acção, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde.E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde.
De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum.


Pablo Neruda, in "Nasci para Nascer" (Discurso na entrega do Prémio Nobel)

Pensadores da Educação

Mikhail Bakhtin
Quando viveu
De 1895 a † 1975
Onde nasceu
Orel, Rússia
O que pensou
Entendeu a linguagem como produto da interação social e da interação dos interlocutores. Para ele, a língua não pode ser considerada uma estrutura abstrata, sem realização concreta, tampouco mero reflexo da realidade material. Os conteúdos da consciência são tanto materiais como sociais.
Frase
"A língua materna, seu vocabulário e sua estrutura gramatical, não conhecemos por meio de dicionários ou manuais de gramática, mas graças aos enunciados concretos que ouvimos e reproduzimos na comunicação efetiva com as pessoas que nos rodeiam"


sexta-feira, 17 de junho de 2011

A construção de uma cultura de paz: semear, cultivar e deixar crescer a paz


Sem dúvida, a construção de uma cultura de paz  representa um dos maiores desafios da contemporaneidade. Pois, com tanta violência que há no mundo, guerras civis, urbana e uma diversidade de conflitos, somente a fé e a perseverança para acreditar que podemos construir um mundo melhor às nossas futuras gerações. Nesse mesmo sentido, Nelson Mandela, preso durante 27 anos, por uma causa nobre representa um líder da paz por seu caráter firme e perseverança.
Alguns dizem que a paz é uma sensação de tranquilidade, eu ousaria dizer que a paz se faz representar, entre tantas coisas, por um barco parado no meio de um lago, numa preguiçosa tarde de domingo ... sem vento. Há  quem diga que a paz é pescar neste lago, dentro deste barco sem pensar em nada, apenas observando o pôr-do-sol. Há ainda quem diga que a paz é a total ausência de rancor, agitação, desconfiança, ou seja, a falta absoluta de qualquer tipo de violência ou sentimento negativo.
Enquanto houver vida, nosso dever de cidadão é buscar o contínuo aperfeiçoamento pessoal em busca de uma paz constante, só assim poderemos lutar contra os sentimentos que nos impedem de acreditar na existência de seres humanos verdadeiramente humanos.
Que a essa paz reine em nossos corações e depois vá contagiando a todos até que tenhamos por completo uma cultura de paz em nossos lares, nossas escolas, nossas vidas e um mundo sem injustiças e desigualdades.
Que possamos garantir uma infância saudável, sem discriminação e com programas sociais que possam melhorar a qualidade de vida das crianças, jovens e adolescentes. Para tanto, precisamos de muito investimento, mas não apenas financeiro, necessitamos de capital humano, de formação para professores, para gestores, para sensibilização, culto aos valores, sobretudo à tolerância e definição de políticas públicas para um mundo centrado na cultura da paz. Só então poderemos semear, cultivar e deixar crescer a paz.

Por Selma Pupim