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domingo, 19 de setembro de 2010

BARTHES: TEXTO, LEITOR E LINGUAGEM



Sergio Ribeiro Granja
Autor do romance LOUCO D'ALDEIA EM DOIS TEMPOS (Record, 1996)


"A poesia não se escreve com idéias,
escreve-se com palavras."
Mallarmé
Barthes observa que "a escrita tem esse poder de operar um verdadeiro silêncio sobre a destinação". Por isso, ele a nomeia de "contra-comunicação", "cacografia".1
Com efeito, quando falamos, dizemos algo a alguém; mas, no texto literário, para quem escrevemos? O falante escolhe o seu ouvinte, ao passo que o escritor não sabe para quem escreve, nem pode ter certeza de que realmente haja alguém para quem escreva, posto que é o leitor quem escolhe o texto.
Mas, além disso, Barthes sublinha que, "no texto, só o leitor fala".2
Assim, a escrita sem leitura é como uma voz sem sonoridade. Não uma voz interior, mas uma não-fala. Sequer um silêncio significativo, mas uma ausência ignorada, já que a leitura (e cada releitura) é como o sopro inaugural que infunde o hálito da vida (ânimo, alma) à matéria inerte (modelada em significantes "com o pó apanhado do solo" - Gn 2,7).
Ao menos seis vozes (seis códigos) ouvem-se no texto: a voz do leitor, a voz da pessoa, a voz da empiria, a voz da ciência, a voz do símbolo e a voz da verdade.
Voz do leitor: "a escrita é ativa porque age pelo leitor" (lexias, quebras aleatórias do texto).3
Voz da pessoa: "o próprio da narrativa não é a acão, mas o personagem como nome próprio" (ideologia, conotações e denotações, código sêmico).4
Voz da empiria: narrativa "sequencial, simultaneamente sintagmática e ordenada" das acões (código proiarético). 5
Voz da ciência: as referências do texto (código cultural).
Voz do simbólico: a simbologia textual (código simbólico).
Voz da verdade: interpretação do texto (código hermenêutico).
Nesse emaranhado polifônico, o leitor se apropria do texto ao lê-lo, atribuindo-lhe uma sapiência. E, ao fazê-lo, frui, goza, delicia-se com o prazer da leitura, degusta o sabor do texto, decodificando-o.
"Sapiência" vem do latim sapientìa, ae, significando: sabor, bom paladar; aptidão, habilidade, capacidade, instrução; razão, bom senso; sabedoria, prudência, siso, tino; moderação, indulgência, benignidade.
Na versão de Barthes, "sapientia: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível".6
A linguagem é a matéria-prima com a qual se produz o texto e sobre a qual se debruça o leitor. Todavia, a linguagem é ardilosa.
"O poder (a libido dominandi) aí está, emboscado em todo e qualquer discurso", aponta Barthes. E ele se indaga "sob que condições e segundo que operações o discurso pode despojar-se de todo desejo de agarrar".7 Esclarecendo: "chamo discurso de poder todo discurso que engendra o erro e, por conseguinte, a culpabilidade daquele que o recebe".8
Parafraseando Jakobson, Barthes diz que "um idioma se define menos pelo que ele permite dizer, do que por aquilo que ele obriga a dizer".9 E, mais adiante, enfático: "a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer".10
Estamos condenados à articulação dos signos disponíveis na língua, segundo as regras da gramática, sob pena da incomunicabilidade: inacessibilidade, insociabilidade, intratabilidade, misantropia.
Por isso, "só resta, por assim dizer, trapacear com a língua, trapacear a língua".11
A literatura é essa trapaça da língua pela língua: ação ardilosa, de má-fé; fraude, logro. "Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro magnífico que permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem, eu a chamo, quanto a mim: literatura."12
E em que consiste o fazer literário, senão na tessitura de um conjunto de expressões fixadas na escrita (uma escritura?) que ganham significação ao serem lidas?
Pois é na esquiva (escusa, recusa; negação, ginga) que reside a arte da escrita: escritura. Escritura, diferente de escrituração. Escritura, modo ou arte de se expressar num texto literário. Escritura, prática da linguagem escrita por meio da qual um escritor se individualiza e afirma sua liberdade de escolha como sujeito, sua filiação estética. Sagradas escrituras...
"É no interior da língua que a língua deve ser combatida, desviada", ensina Barthes, "pelo jogo das palavras de que ela é o teatro". Jogar, negacear, gingar – "trabalho de deslocamento" que o escritor "exerce sobre a língua". Aí estão "as forças de liberdade que residem na literatura". O que evoca "uma responsabilidade da forma".13
Dessas forças, Barthes distingue três: Mathesis, Mimesis, Semiosis.
Mathesis: "todas as ciências estão presentes no monumento literário".14
Nesse sentido, a literatura "é absolutamente, categoricamente realista: ela é a realidade, isto é, o próprio fulgor do real" (o calor do Sol é o próprio Sol). Todavia, "ela faz girar os saberes, não fixa, não fetichiza nenhum deles", pois "a literatura trabalha nos interstícios da ciência".15
"Quer ela reproduza a diversidade dos socioletos, quer, a partir dessa diversidade, cujo dilaceramento ela ressente, imagine e busque elaborar uma linguagem limite, que seria o seu grau zero", a literatura "encena a linguagem, em vez de, simplesmente, utilizá-la". É nessa encenação que, "através da escritura, o saber reflete incessamente sobre o saber".16
Saber vem do latim sapìo, is, ùi ,ívi (ou ìi e í), ère, significando: ter sabor, ter bom paladar, ter cheiro, sentir por meio do gosto, ter inteligência, ser sensato, prudente, conhecer, compreender, saber.
De modo que "a escritura faz do saber uma festa", posto que ela "se encontra em toda parte onde as palavras têm sabor".17
Mimesis: recriação, na obra literária, da realidade.
Barthes formula o paradoxo da literatura: "não se pode fazer coincidir uma ordem pluridimensional (o real) a uma ordem unidimensional (a linguagem)".18 Por isso, além de ser "categoricamente realista", a literatura também é obstinadamente irrealista: "ela acredita sensato o desejo do impossível". Para Barthes, "essa função, talvez perversa, portanto feliz, tem um nome: é a função utópica".19
Porém, "a utopia da língua é recuperada como língua da utopia", e aí não resta ao autor "senão o deslocamento – ou a teimosia – ou os dois ao mesmo tempo".20 Teimar é "manter ao revés e contra tudo a força de uma deriva e de uma espera". Deslocar-se é "transportar-se para onde não se é esperado, ou ainda e mais radicalmente, abjurar o que se escreveu (mas não, forçosamente, o que se pensou)".21
Semiosis: "a terceira força da literatura, sua força propriamente semiótica, consiste em jogar com os signos em vez de destruí-los, em colocá-los numa maquinaria de linguagem cujos breques e travas de segurança arrebentaram, em suma, em instituir no próprio seio da linguagem servil uma verdadeira heteronímia das coisas".22
Mathesis, Mimesis, Semiosis – o prazer do texto. Vários prazeres, o prazer é plural: jogar com o saber, a realidade, os signos – o prazer lúdico; ironizar o saber, a realidade, os signos – o prazer satírico; sensualizar o saber, a realidade, os signos – o prazer erótico; etc.
Barthes observa que "se leio com prazer essa frase, essa história ou essa palavra, é porque foram escritas no prazer".23 Porém, a recíproca nem sempre é verdadeira: escrever no prazer não garante o prazer do leitor.
O escritor não escreve para um leitor determinado, mas para um leitor hipotético. É a este (e não àquele) que ele busca incessantemente como "a possibilidade de uma dialética do desejo, de uma imprevisão do desfrute: que os dados não estejam lançados, que haja um jogo".24
Jogatina, o prazer do jogo. Porque fora do prazer de escrever, o que há é a tagarelice. E "a tagarelice do texto é apenas essa espuma de linguagem que se forma sob o efeito de uma simples necessidade de escritura". 25
O texto-tagarelice é "um texto frígido, como o é qualquer procura, antes que nela se forme o desejo, a neurose". 26
Desejo – obscuro objeto que se desloca, escapa, não se deixando agarrar.
O escritor deve provar que deseja o leitor, precisa desesperadamente fazer-se merecedor dele, seduzi-lo. "Essa prova existe: é a escritura." Escritura: "ciência das fruições da linguagem".27
A escritura é o compromisso que o texto encena entre duas margens: "uma margem sensata, conforme, plagiária (trata-se de copiar a língua em seu estado canônico, tal como foi fixada pela escola, pelo uso correto, pela literatura, pela cultura), e uma outra margem, móvel, vazia (apta a tomar não importa quais contornos) que nunca é mais do que o lugar de seu efeito: lá onde se entrevê a morte da linguagem".28
Mas o prazer do texto não se frui numa margem nem noutra. Pois o prazer é "o lugar de uma perda, é a fenda, o corte, a deflação, o fading que se apodera do sujeito no imo da fruição".29 "É a intermitência, como o disse muito bem a psicanálise, que é erótica". O que seduz é "a encenação de um aparecimento-desaparecimento".30
Voyeurismos – dois regimes de leitura: "uma vai direto às articulações da anedota, considera a extensão do texto, ignora os jogos de linguagem"; ao passo que "a outra leitura não deixa passar nada".31 Barthes observa que "esta segunda leitura, aplicada (no sentido próprio), é a que convém ao texto-moderno, ao texto-limite".32 Posto que "a fenda das duas margens, o interstício da fruição, produz-se no volume das linguagens, na enunciação, não na seqüência dos enunciados".33
Voyeurismos – texto de prazer, texto de fruição.
Texto de prazer, prazer do texto (contentamento).
"Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma prática confortável de leitura."34
Texto de fruição, fruição do texto (desvanecimento).
"Texto de fruição: aquele que põe em estado de perda, aquele que desconforta (talvez até um certo enfado), faz vacilar as bases históricas, culturais, psicológicas do leitor, a consistência de seus gostos, de seus valores e de suas lembranças, faz entrar em crise sua relação com a linguagem." 35
Essa distinção entre o texto que conforta e o que desconforta, já a encontramos no barroco luso-brasileiro: em 1655, no Sermão da Sexagésima, o Padre Antônio Vieira ensinava que "quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atônito, sem saber parte de si, então é a pregação que convém".36
Texto que desconforta: inversão de paradigma.
Nas palavras de Vieira:
"Semeadores do Evangelho, eis aqui o que devemos pretender nos nossos sermões: não que os homens saiam contentes de nós, senão que saiam muito descontentes de si; não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhes pareçam mal os seus costumes, as suas vidas, os seus passatempos, as suas ambições, e enfim, todos os seus pecados. Contanto que se descontentem de si, descontentem-se embora de nós."37
Pecado – desconforto do texto que semeia culpas com base em verdades (modelos eternos e perfeitos): escritor-demiurgo.
Texto de fruição – outro paradigma: deslocamentos, dúvidas, imprecisões.
Texto que desconforta – novo paradigma: para Barthes, "é chamado escritor, não aquele que exprime o seu pensamento, sua paixão ou sua imaginação por meio de frases, mas aquele que pensa frases".38 Frases que instaurem a incerteza. (O que equivale a um programa.)
___________________
Referência bibliográfica:
1 BARTHES, Roland. S/Z. Edições 70, p. 114.
2 Idem, p. 115.
3 Idem, p. 115.
Lexia: unidade do léxico (vocábulos, expressões idiomáticas, locuções etc.).
4 Idem, p. 143.
Sema: cada unidade mínima de significação, que, combinada com outras, define o significado de morfemas e palavras; traço semântico, componente semântico.
5 Idem, p. 152.
6 BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, p. 47.
7 Idem, p. 10.
8 Idem, p. 11.
9 Idem, pp. 12-13.
10 Idem, p. 14.
11 Idem, p. 16.
12 Idem, p. 16.
13 Idem, p. 17.
14 Idem, p. 18.
15 Idem, p.18.
16 Idem, p. 19.
17 Idem, p. 21.
18 Idem, p. 22.
19 Idem, p. 23.
20 Idem, pp. 25-26.
21 Idem, pp. 26-27.
22 Idem, pp. 28-29.
23 BARTHES, Roland. O prazer do texto. 3ª ed., São Paulo: Perspectiva, 2002, p. 9.
24 Idem, p. 9.
25 Idem, p. 9
26 Idem, p. 10.
27 Idem, p. 11.
28 Idem, p. 12.
29 Idem, p. 12.
30 Idem, p. 16.
31 Idem, p. 19.
32 Idem, p. 19.
33 Idem, p. 19.
34 Idem, p. 20
35 Idem, pp. 20-21
36 VIEIRA, Antônio. Sermões escolhidos. São Paulo: MartinClaret, 2003, Sermão da Sexagésima ou do Evangelho, p. 109.
Segundo Afrânio Coutinho, o Padre Antônio Vieira é "um grande da literatura brasileira e não da portuguesa, que nada tem a ver com o barroco". [A Literatura no Brasil, vol. 6, p. 310]
37 Idem, p. 109.
38 BARTHES, Roland. O prazer do texto. 3ª ed., São Paulo: Perspectiva, 2002, p. 61.

EDUCAÇÃO E ESCOLA

  “O Brasil está clamando pela presença de Educadores para implantar a Escola Humana.” Ivone Boechat de Oliveira

 
As pessoas possuem, de forma geral, potencial para desempenharem algo bem. Dessa forma, se a escola tem um papel, esse papel é fazer dessa descoberta sua principal mola propulsora. É preciso, pois, considerar que a escola, como uma instituição, está inserida na sociedade e dela extrai seus recursos.
Diante disso, a escola básica está a serviço de todos e nenhum avanço será efetivo se ela não oferecer uma oportunidade de reforçar a democratização do acesso aos saberes, à aprendizagem e à educação para a cidadania.
Assim sendo, considera-se que entre todos os objetivos da educação, o primordial consiste no desenvolvimento da própria sociedade. Retomando as sábias palavras de Perrenoud: “Se a intenção é que a escola retome seu papel de cimento da sociedade, façamos disso uma prioridade e asseguremos a ela as injunções e os meios necessários.” (PERRENOUD, 2005, p.5) grifo nosso
É notável que a escola desempenha um papel relevante na construção da sociedade e na preparação do futuro dos seres que a compõem. Assim, educação e vida se confundem, já que a educação pauta-se na orientação do ser humano para o choque do encontro consigo mesmo, ou seja, na formação do próprio ser enquanto cidadão crítico.
Esse processo educador de  transmissão de informação, conhecimento e cultura é adquirido de maneira formal e informal, no decorrer da vida. A educação informal, assistemática e difusa, conforme relata Carlos Rodrigues Brandão, em sua obra O que é educação, acontece pela obervação do comportamento das pessoas mais experientes e pela convivência com elas. Sendo que, em algumas comunidades, essa passa a ser a úncia forma de educação; nelas, as crianças aprendem participando da vida familiar e comunitária.
Vale ressaltar, nesse momento, a nobre profecia de Rubem Alves “[...] a educação é um permanente movimento, é um caminho e um percurso[...] (ALVES, 2001, p. 9). Conforme o poeta, esse é o primeiro momento mágico da educação, o momento em que nos apercebemos o imenso mundo fora de nós e é preciso começar a desenvolver o olhar para fora, como uma necessidade de interrogar e compreender o que vemos fora de nós. Essas reflexões nos leva a pressupor que, à medida em que olhamos, observamos e comprendemos, estamos inseridos no processo de educação informal.  E, parafraseando Brandão, é o Aprender vivendo, é a cultura popular dotada de manisfestações culturais inserida em todas as comunidades e povos.
 Conforme Platão, a educação “[...] consiste em dar ao corpo e à alma toda a beleza de que são capazes”. (PLATÃO, apud, OLIVEIRA, 2000, p. 58). Para o filósofo, o principal papel da educação seria despertar, nas pessoas as idéias que elas mesmo já possuíam antes de nascer.
Já a educação formal, sistemática está centrada em legados culturais e  pautada em conhecimentos científicos, teses, técnicas e experiências concretas. Nela estão os elementos essenciais para serem transmitidos, de forma seletiva e por pessoas especializadas.
No âmbito da educação formal, as propostas são ancoradas em planejamentos, que inovam-se continuamente a cada nova descoberta. As constantes reforma do ensino confirmam que a cultura está vinculada à ciência e a competitividade leva cada vez mais à busca por novos conhecimentos, à procura da qualificação exigida pelo mercado de trabalho e no prosseguimento dos estudos.
Nesse sentido, a escola oferece recursos para atingir esses objetivos, professores cada vez mais preocupados com sua qualificação, os currículos elaborados e planejados de forma adequada à realidade das unidades escolares a que são inseridas, metodologias que se inovam, enfim, a escola se solidifica como uma instituição organizada tendo como objetivo transmitir seletivamente às crianças a herança cultural da sociedade.
Ao mesmo tempo, que a escola prepara os jovens para a complexidade do mundo ao seu redor, garantindo os saberes necessários para esse enfrentamento, ela propicia a formação contínua dos seus docentes para o objetivo único de formar seres críticos e, dessa forma, as duas figuras, professor e aluno se complementam nesse processo.
A visão da escola como uma instituição uniu-se à visão dessa como grupo social. A escola como instrumento de controle social, com objetivos comuns à sociedade transmite cultura aos seus membros componentes. Do mesmo modo, como instituição centrada em normas e procedimentos padronizados, proporciona a socialização do indivíduo, bem como os aspectos de sua cultura. Apesar da distinção entre as duas visões, existe em ambas, uma preocupação significativa com a autonomia do indivíduo e sua capacidade para atuar frente a situações de desigualdades e injustiças sociais.
Dese modo, as duas acepções acabam em um processo unilateral, pelo qual as pessoas apreendem o controle social que lhe é imposto, porém dotadas de uma maior compreensão e autonomia. O educador Paulo Freire posiciona-se de forma  original em suas reflexões, segundo o autor, “[...] a educação é uma prática de liberdade”. (OLIVEIRA, apud Freire, 2000, p.60). Dessa forma, a liberdade se adquire a partir da transformação da sociedade em indivíduos e seres pensantes, quando maior o nível de letramento, menor será o de manipulação dos mesmos e a escola está inserida nesse processo. Ainda, para o educador brasileiro, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda”.
Quanto à sua estrutura,  dois grupos  a compõem: os educadores e os educandos. O grupo dos educadores, composto por diretores, professores, orientadores e auxiliares se ocupa em transmitir valores sociais, impor normas, liderança sobre os alunos estabelecendo uma interdependência entre si, de forma a um não existir sem o outro. Alguns métodos são adotados como forma de educação, entre eles, o construtivismo, considerado o pensamento mais adequado sobre a obtenção de conhecimento. Os educandos, representados pelos alunos, Além dos grupos acima descritos, existem na escola grupos como, grupos associativos, formados entre os alunos no cotidiano; grupos de ensino (classe) e os grupos de idade e sexo.
Os grupos associativos subdividem-se em: intelectuais, os grupos de pesquisa em que se discute os assuntos tratados em aula, entre outros; os recreatiovos, para brincadeiras, jogos gincanas e os grupos cooperativos, aqueles que se reunem para conversar sobre assuntos variados, plenejar aventuras etc.
O grupo de ensino é a classe, a sala de aula,em que os alunos são submetidos à horários fixos, regras e programas determinados, ainda com a obrigatoriedade de frequência e aproveitamento. O processo de formação das classes é designado pela administração e não por livre escolha. Alguns conflitos apresentados entre educador e educando resultam em situações extremas como, a expulsão do aluno e substituição do professor.
Entre os mecanismos de sustentação dos agrupamentos na escola estão: a liderança, as normas e as sanções. Em relação à liderança, o professor exerce essa posição  sobre os alunos. Quando a liderança é de forma negativa poderá ocorrer conflitos e rupturas no grupo.   
Quanto às normas, algumas orientam o comportamento e a postura de professores e alunos. Espera-se, com isso, que cada um cumpra suas obrigações em relação à horários, propostas, entre outras. “As normas pedagógicas referem-se ao desempenho escolar : avaliação dos conhecimentos adquiridos, supervisão da participaçõa e da posura em sala de aula, dos cuidados com o material escolar etc”.(BRANDÃO, p 12)
As sanções podem ser de dois tipos: administrativas e grupais. A primeira, baseia-se na legislação e regulamentos internos da instituição escolar. Entre alguns procedimentos está a suspensão, reprovação por falta e dispensa por faltas graves. Já na segunda sanção, as medidas cabíveis são aplicadas tanto aos alunos quanto aos professores, em punição às faltas cometidas.
Em síntese, há uma infinidade de conceitos sobre educação e escola que oferecem subsídios para discussões, debates e estudo. Contudo, os conceitos surgem e se reformulam dentro do próprio processo educativo. Dessa forma, educar é processo que se renova constantemente e sempre rumos às transformações da humanidade. As idéias perpassam as gerações e retomando às parábolas bíblicas, Jesus criou a parábola para adaptar sua linguagem à cultura das nações.

  

“Sou o intervalo entre o que desejo ser  e os outros me fizeram,
 ou metade desse intervalo, porque também há vida...”
Álvaro de Campos


Referências Bibliográficas
ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 2001.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. p. 21.
OLIVEIRA, Ivone Boechat de. Por uma Escola Humana. Rio de Janeiro: RJ. 2000.
PERRENOUD, Philippe. Escola e cidadania: o papel da escola na formação para a democracia. Porto Alegre: Artmed, 2005.



Selma Cristina Freitas Pupim

A importância do ato de escrever no ensino de língua

por Selma Cristina Freitas Pupim

Redigir um bom texto consiste em uma das tarefas extremamente complexas e que envolve múltiplas habilidades. Dessa forma, quando se fala em produção de textos, imagina-se um trabalho centrado em um bom planejamento a fim de que os alunos sejam capazes de observar a sua escrita e verificar se a mesma está clara e precisa, dentro dos moldes da língua. O planejamento para uma escrita eficiente se revela perante um bom planejamento e a revisão como parte integrante do processo de produção.
Dentre as práticas mais relevantes no ensino de língua está em estabelecer uma relação intrínseca entre educação e linguagem. Sabemos que a Educação consiste numa prática social que se exprime mediante ações concretas de forma a estabelecer uma interação social.
Nesse sentido, as experiências vividas nas relações sociais se concretizam perante a competência leitora e escrita dos indivíduos. Desse modo, importa ressaltar a necessidade da presença da leitura no cotidiano escolar e a importância do professor-leitor na formação do aluno-leitor.      
Um dos questionamentos mais freqüentes, transformados em crescente preocupação atualmente, refere-se à baixa qualidade da educação brasileira. Conforme dados apontados, o país não apresenta índices satisfatórios no que se refere à Língua Portuguesa e seus desdobramentos: leitura, reflexão sobre conhecimentos lingüísticos, compreensão e produção de textos.           
Muito se tem debatido, sobre a importância da leitura no cotidiano escolar. Entretanto, percebe-se que inúmeras dificuldades têm sido encontradas neste espaço para que a efetivação das práticas de leitura possibilite a formação de leitores.  Diante desse quadro, os profissionais das Letras estão a todo o momento comprometidos com o contexto histórico de seus temas, biografias, entre outros. Sob esse aspecto, os profissionais de outras áreas deveriam proporcionar aos seus alunos um conhecimento maior sobre utilizando-se mais a leitura e priorizando a escrita e a produção de texto.  Nesse contexto, o ensino de Ciências exige observação, pesquisa e registro, para isso, parte-se da leitura como princípio e a escrita para concretizá-la. Na disciplina de Geografia, os elementos gráficos tornam texto mais atraente, com isso, torna-se oportuno a descrição desses elementos em uma produção textual. No campo da Matemática, o pesquisador Guy Brousseau (Nova Escola, Jan/Fev, 2009 p. 28-29), considerado o pai da didática da Matemática, não conquistou seu prêmio Felix Klein, do Comitê Internacional do Ensino da Matemática apenas com os números que organizam a disciplina, seu trabalho envolveu pesquisa, registro e, consequentemente, a escrita. 
Nesse passo, os docentes de Educação Física poderiam contemplar a cultura do esporte para anteceder as atividades práticas e garantir a participação de todos. Sem dúvida, a técnica é importante, contudo essa mudança de metodologia tem como objetivo o estudo das características históricas, a origem da modalidade, sua história e evolução e isso exercita a leitura e a escrita.
Em síntese, ensinar a pesquisar é, sem dúvida, tarefa de todo corpo docente. Para tanto, é fundamental reconhecer que professores e estudantes são atores indispensáveis da relação de ensino e aprendizagem.
A tendência atual a ser seguida pauta-se num elemento concreto, palpável: a curiosidade de pesquisador, que consiste em fazer com que o aluno observe, pesquise em diversas fontes, questione e registre para absorver as informações coletadas. A partir disso, torna-se possível associar pesquisa à tão atemorizada produção de texto.
A descoberta do poder da linguagem se expressa também no campo das Artes. Dessa forma, a literatura, a pintura, a música, a escultura e todas as demais formas de manifestação artística contempla a escrita para então, transformar-se em arte. Nessa perspectiva, as artes tornam-se trabalho da expressão e o espaço da sala de aula, na maioria das vezes, precisa ser motivado pelo espírito transformador da arte. Os conteúdos de arte instigam os alunos à descoberta da vida sob um outro olhar. Em suma, a arte possibilita um olhar criativo, que lança hipóteses para novas possibilidades. O que há de espantoso nas artes é que elas realizam o desvendamento do mundo recriando o mesmo mundo em outra dimensão e de tal maneira que a realidade se recria na própria arte. Por meio da obra de arte podemos ouvir, sentir, criar, escrever, ler dando um novo sentido à obra e esta experiência poderá ser proporcionada pelo professor da disciplina criando e recriando as suas aulas diariamente.
A escrita representa a competência leitora das pessoas e, ao mesmo tempo, os elementos visuais expressos no ato de leitura despertam para a percepção e toda apreciação de uma obra, seja por meio de uma imagem, de um som ou de um texto escrito. Com relação às habilidades de leitura, a competência leitora é definida como a capacidade de compreender textos escritos, usá-los e refletir sobre eles de forma a desenvolver os próprios conhecimentos e o próprio potencial e participar ativamente da sociedade.
A partir do texto, trabalha-se com a linguagem oral e escrita e, ao combinar as duas práticas, retoma-se as questões de oralidade e de escrita, uma vez que ambas fazem parte da natureza real dos fatos da língua. Nesse caminho, entrelaçados pelas práticas de leitura, de produção de textos, o professor e o aluno trocam experiências e produzem conhecimento sobre questões de linguagem e de educação, o que revela a importância do ato de escrever no ensino de língua.

Referências Bibliográficas
Pedagogia Cidadã. Cadernos de Formação: Módulo Introdutório. UNESP. Educação e Linguagem. São Paulo: Pró-reitoria de Graduação, 2002.
VICHESSI, Beatriz. Língua Portuguesa Autor em Formação: O planejamento é uma das etapas essenciais da produção de texto. Nova Escola. Março 2010. p.66-68.

Guy Brousseau: o pai da didática da Matemática. Nova Escola, Jan/Fev, 2009 p. 28-29),