Total de visualizações de página

domingo, 26 de setembro de 2010

Boas Práticas Pedagógicas: Análise Estrutural da Narrativa

De um modo geral, os professores costumam recomendar aos seus alunos, após uma leitura extra classe, os dados biográficos do autor e um resumo da obra lida. Para tanto, o estudante deverá receber uma orientação didática, clara e objetiva, capaz de mostrar-lhe os aspectos a encarar, as qualidades a sublinhar, as virtudes a ressaltar no que tange à técnica da narrativa, sua estrutura, à caracterização das personagens, à linguagem ou estilo e outros aspectos.
Dessa forma, sem essa orientação, as chamadas impressões da leitura resultam vagas, difusas, traduzindo-se em apreciações infundadas ou desconexas. Na maioria das vezes, o aluno sequer se lembra da história lida. 
O roteiro que segue, tem sido adotado em pesquisas de campo com alunos e apresentado resultados satisfatórios, alguns trabalhos têm-se revelado dignos de publicação. Os itens abaixo selecionados poderão ser ajustados às características da obra recomendada.

Roteiro para análise literária

I – Dados sumários sobre o autor e a obra
1 – Autor: nome completo, local e data de nascimento e morte; dados biográficos essenciais: época ou estilo da época.
2 – Obra: romance, novela ou conto? Local (cidade), editor e data da edição lida.
3 – Resumo.

II – Estrutura – os elementos da narrativa
1.  Personagens
Nomeie as mais importantes; identifique a protagonista, antagonista e, em seguida, as secundárias.
Quanto à caracterização:
1.1  O autor descreve-as logo de início?
1.2  As personagens parecem-lhe reais ou imaginárias?
1.3  Despertam-lhe simpatia, admiração, aversão, angústia ou deixam-no indiferente?
1.4  Já encontrou em outras obras personagens semelhantes?

2.  Enredo (intriga, história, trama)
2.1  Há exposição ou apresentação? Se há, onde termina?
2.2 Onde começa a complicação (capítulo, cena ou episódio)?
2.3 Onde começa o clímax (auge, ápice, suspense)?
2.4 Em que trecho ocorre o desfecho?
2.5 Acha que o desfecho foi artificialmente protelado para manter o leitor em suspense?
2.6 O enredo parece-lhe invenção ou evidenciam-se nele traços autobiográficos do autor?
2.7 Há unidade e organicidade na narrativa, ou seja, os fatos, episódios encadeiam-se naturalmente, mantendo lógica entre si ou trata-se de episódios independentes?
2.8 Há uma só intriga, ou há a presença de tramas paralelas?

3.  Ambiente (cenário, paisagem, lugar)
3.1 Qual é o local dos acontecimentos? Há mais de um ou há unidade de lugar?
3.2 Qual é o tipo de ambiente predominante? Físico (natureza, campo, cidade); ou social (comunidade, fábrica, escola, clube)?
3.3 Cor Local e atmosfera: nas descrições predominam os elementos físicos do ambiente, ou, ao contrário, sobressaem os de natureza emocional, intelectual ou psicológica. Especifique, exemplifique.
3.4 O autor alonga-se em descrições detalhadas do ambiente? Julga essas descrições condicionadas ou ajustadas à ação e ao comportamento das personagens? Considera-as indispensáveis ao desenrolar da história?
3.5 O ambiente descrito constitui um lugar comum do estilo da época ou escola literária? Há originalidade nas descrições? Você costuma ler todas as descrições ou “passa por cima”?

4. Tema (assunto)
Trata-se de romance (conto ou novela) de aventuras ou de ação? De fundo histórico? De suspense? De horror? De conflito amoroso ou psicológico? Tem conotação política disfarçada? Será ficção científica?

5. Tempo
5.1 A narrativa parece-lhe lenta, quer dizer, há pouca ação e muitos comentários e reflexões do autor?
5.2 Ou a narrativa parece-lhe rápida, acelerada, em virtude da sucessão contínua dos acontecimentos?
5.3 A ordem da narrativa é cronológica ou do tipo flasback?
5.4 Em que época se desenrola a narrativa? Qual a sua duração?

6.  Ponto de Vista
6.1 O narrador é também uma das personagens? Em que pessoa gramatical é feita a narrativa (primeira ou terceira)?
6.2 O narrador é onipresente, ou seja, está em toda a parte?
6.3 O narrador relata episódios ocorridos simultaneamente em lugares e ou épocas diferentes e aos quais não poderia assistir?
6.4 O narrador acompanha as personagens como um espectador neutro ou interfere, julgando, comentando ou prevendo o comportamento delas?
6.5 O narrador tem o hábito de dirigir-se ao leitor? Exemplifique.

III – Linguagem e estilo
1.         O estilo do autor parece-lhe correto? É vivo, espontâneo, convencional, vulgar? Exemplifique.
1.2       Há traços estilísticos como, preferência por certas estruturas de frase, certas palavras, expressões?
1.3       Há desleixos gramaticais?
1.4       Há distinção entre o estilo da fala, diálogos, vocabulário das personagens e do autor?
1.5       A fala dos personagens representa a realidade do cotidiano?
1.6       Há modismos no estilo do autor, como gíria, regionalismos, vulgarismos?

IV – Idéias e concepções
1.         A obra apresenta sinais de preconceitos de ordem moral, racial, social ou religiosa?
2.         O autor aborda problemas que afligem a humanidade?
3.         A obra representa um testemunho dou depoimento sobre a sua época?

V – Impressões provocadas pela leitura
1. Qual a sua impressão sobre a obra?
2. Você gostou da obra? Sentiu empolgado pela narrativa?
3. Em algum momento você teve vontade interferir nos acontecimentos?
4. A leitura o enriqueceu culturalmente ou espiritualmente? Provocou reflexões?
5. Leu outras obras do mesmo autor?
6. O que você gostaria de comentar a respeito da obra e do autor?


Selma Cristina Freitas Pupim

Boas Práticas Pedagógicas - Linguagem de Código: A Arte de camuflar mensagens e textos

  Ensino Fundamental – Nível II

 Introdução:

 Existem várias formas de camuflar um texto. Um bom exemplo de código de linguagem entre as crianças é a língua do “pe”  Esse tipo de linguagem é uma forma interessante de estabelecer uma tabela para se comunicar.
 Outra maneira interessante de camuflar um texto é estabelecer códigos numéricos para determinadas letras. O processo de substituição das letras por número dentro do texto condiciona o cérebro a memorizar e a relacionar a letra que corresponde aos respectivos números.

Objetiuvos:   Examinar alguns métodos que permitem decifrar mensagens e informações.

 
Procedimentos:

 1) Primeiramente o(a) professor(a) distribuirá o texto codificado. Após a leitura, falará sobre as várias formas de linguagem de código.
 2) Os alunos deverão sentar-se em grupos e cada grupo criará a sua linguagem aplicando-a na escrita de um texto a ser escolhido por eles. Poderá ser um poema, um recado, uma cartinha de amor, enfim, a proposta é a troca das atividades.

 Avaliação:  A avaliação se dará mediante a participação dos alunos.

 Galileu Galilei muitas vezes teve de se comunicar de maneira obscura com seus contemporâneos. Numa ocasião, enviou a Johannes Kepler o recado: “Haec immatura a me jam frustra  legunturoy”. O astrônomo leu “Em Júpiter há uma mancha vermelha”. Galileu quase foi parar na fogueira por essa afirmação.

 Códigos semelhantes, assim como línguas específicas e exclusivas, são utilizados há muito tempo pelos exércitos americano, russo e brasileiros, entre outros.

 Cada aluno deve criar a sua linguagem de código para que os outros decodifiquem, vale usar tudo o que  foi visto em aula e também conhecimentos da cultura popular, como gírias, jargões, variações da língua do “pê”  etc.

Selma Cristina Freitas Pupim
Professora – Língua Portuguesa

GENIAL / uma boa leitura


                                      
“Viver! "
Acho a maior graça. Tomate previne isso,
cebola previne aquilo, chocolate faz bem,
chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema,
qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância,
mas não exagere...  Diante desta fartura de descobertas,
acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar,
mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens  não me incham as pernas; incham-me o cérebro,
volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me
 faz perder toda a fé no ser humano.
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão
está pegando fogo, faz muito bem; você exercita o autocontrole e ainda
acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite
é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer,
não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo,
não ter ninguém atrapalhando sua visão,
nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada"

(Luís Fernando Veríssimo)

Diferença entre Educar e Ensinar


Marcas de batom no banheiro...

Em uma escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: uma turma
de meninas de 12 anos que usava batom todos os dias removia o excesso beijando o espelho do banheiro.
O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um
trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como
sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom.
Chegou a chamar a atenção delas por quase 2 meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa....
Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.
Depois de uma hora falando, e elas com cara de deboche, o diretor pediu ao zelador "para demonstrar a dificuldade do trabalho". O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho. Nunca mais apareceram marcas no espelho !!!!
 
"Há professores e há educadores"

Qual a diferença entre educar e ensinar?

O educador convence, conscientiza



Análise: VIDAS SECAS, de Graciliano Ramos



Breve Biografia do autor

Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo (AL), em 1892. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1914, atuando como revisor em alguns jornais. Acaba por retornar a Alagoas, fixando-se em Palmeira dos Índios, como comerciante.
Em 1920, fica viúvo. Trabalha como jornalista e participava intensamente da vida política, chegando a ser prefeito em 1928, renunciando em 1930. Publica o seu primeiro livro em 1933, tendo contato por essa época com José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e Jorge Amado.
É preso em março de 1936, acusado de ligações com o comunismo (PC), durando até o ano seguinte. Filia-se ao Partido Comunista em 1945, com o fim do Estado Novo. Viaja para a então União Soviética e parte do continente europeu. Morre em 1953, um ano após regressar ao Brasil.
OBRA: ROMANCES: Caetés (1933); São Bernardo (1934); Angústia (1936); Vidas Secas (1938); CONTOS: Insônia (1947); MEMÓRIAS - Infância (1945); Memórias do Cárcere (1953); Viagem (1954); Linhas Tortas (1962); CRÔNICAS - Viventes das Alagoas (1962); 
LITERATURA INFANTO-JUVENIL - A Terra dos Meninos Pelados (1937); Histórias de Alexandre (1944); Histórias Incompletas (1946)

VIDAS SECAS



O romance Vidas Secas foi publicado em 1938; a obra aborda a problemática da seca e da opressão social. Ao contrário dos romances anteriores, é uma narrativa em terceira pessoa.
O romance tem um caráter fragmentário, ou seja, apresenta "quadros", episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Como coloca o crítico Affonso Romano de Sant'Anna - Estamos sem dúvida, diante de uma obra singular onde os personagens não passam de figurantes, onde a estória é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedecem a um critério aleatório. Mesmo com essa estrutura descontínua, há uma proximidade entre o primeiro capítulo :Mudança- a chegada de uma família de retirantes - e o último : Fuga - a mudança da família que, diante da seca, foge para o sul. Esse caráter mostra que o romance é cíclico, onde o mundo se fecha para a família de Fabiano, saindo de uma mera classificação regionalista para mostrar o drama que o Homem sofre com a opressão do mundo.
ENREDO
Podemos sintetizar os capítulos da seguinte forma :

CAP. 1 - MUDANÇA : uma família sertaneja fugindo da seca. Compõe a família : Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, os dois filhos do casal caracterizados por menino mais novo e menino mais velho, a cachorra Baleia e um papagaio, que morrera para alimentar a família.
Como o próprio título sugere, a situação da seca acaba por tornar as pessoas (vidas) em amargas (secas), como no episódio onde o menino mais velho senta-se no chão exausto da caminhada. Fabiano tem uma reação totalmente hostil :"-Anda, condenado do diabo...", pois o pai possuía "o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça.".

CAP. 2 - FABIANO : a família se aloja em uma fazenda abandonada. Depois de uma trovoada, o dono da fazenda chega e expulsa a família de retirantes. Fabiano se faz de desentendido e se oferece para trabalhar como vaqueiro. O fazendeiro acaba por aceitar a oferta. Todo capítulo é centrado na análise de Fabiano. De vocabulário reduzido (mais grunhindo do que falando), inveja o seu Tomás da bolandeira, por possuir facilidade em se expressar. O seu caráter isolado, sua rusticidade e o pouco vocabulário o faz se aproximar de um bicho, como ele próprio coloca :" Você é um bicho, Fabiano. ", pois como o narrador revela, ele "Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais ".

CAP.3 - CADEIA : temos a aparição do soldado amarelo ( que reaparecerá no cap. 11) simbolizando a autoridade governamental. Fabiano, que ao ir à cidade fazer compras, acaba por jogar cartas com o soldado amarelo. Depois de um pequeno desentendimento, Fabiano é preso e espancado. Ele tenta compreender sua situação, mas não consegue devido a falta de organização de seus pensamentos. Revolta-se contra a injustiça que sofre, desejando vingança, mas acaba se conformando.
CAP 4 - SINHA VITÓRIA : centrado na esposa de Fabiano , mostra-nos o seu desejo em adquirir uma cama de couro (como a do seu Tomás da bolandeira ). Os esforços nesse sentido parecem inúteis, pois eles tem muito pouco com o que economizar. Nesse aspecto, o narrador mostra o inconformismo de sinha Vitória com a sua situação, ao contrário do marido, que aceita os fatos de forma mais passiva.
Fabiano a compara com o papagaio que morrera, fazendo analogia ao seu caminhado. No entanto, ela se mostra mais esperta do que o marido, além de articular as palavras melhor do que ele.
CAP. 5 - O MENINO MAIS NOVO : o garoto é apresentado como possuidor de um único ideal em sua vida : ser igual ao pai - Evidentemente ele não era Fabiano. Mas se fosse ? Precisava mostrar que podia ser Fabiano.
Querendo imitar o pai, o menino tenta fazer montaria em um bode, acabando por cair. O tombo revela que o garoto ainda não é Fabiano , entretanto, tal fato não o afasta de seu sonho : "... precisava crescer, ficar tão grande como Fabiano, matar cabras a mão de pilão, trazer uma faca de ponta à cintura. Ia crescer, espichar-se numa cama de varas, fumar cigarros de palha, calçar sapatos de couro cru."
CAP. 6- O MENINO MAIS VELHO : nesse capítulo, o menino se impressiona com a palavra inferno. Na tentativa de compreender o seu significado, pergunta a sinha Vitória, que fala pouco e age de modo arbitrário ao repreendê-lo. Busca aprendê-la, pois possuía "... um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca."
Há uma aproximação dele com Baleia, devido a sua carência, pois a cadela lhe devota uma certa atenção -"a cadelinha era o único ser vivente que lhe mostrava simpatia. "
CAP 7 - INVERNO : início do período chuvoso. Descrição de uma noite torrencial e os temores que a chuva despertava na família de Fabiano, capaz invadir tudo. Fabiano tenta contar histórias enquanto os garotos passam frio.
CAP. 8 - FESTA : a família vai à cidade para as comemorações do Natal . A família veste roupas confeccionadas por sinha Terta para a ocasião. Como Fabiano havia comprado pouco tecido, as roupas ficam muito justas. Com a falta de hábito de usar sapatos, a sensação de ridículo aumenta. Aumenta o sentimento de inferioridade ao perceberem a grande diferença entre esses dois mundos. Fabiano se embebeda, enchendo-se de coragem para fazer provocações. Como ninguém lhe responde, acaba voltando para junto de sua família.
CAP 9 - BALEIA : Baleia adoece (fica hidrófoba). Cai-lhe o pêlo , estava magérrima e com o corpo cheio de chagas. Fabiano resolve matá-la, temendo que passe a doença aos filhos.
CAP 10 - CONTAS : nesse capítulo percebemos a opressão do proprietário rural para com o seu agregado. Fabiano é enganado no acerto de contas com o patrão. Ao comentar que a conta do patrão difere da de sinha Vitória, este se irrita, diz que são os juros e intenciona demiti-lo. Fabiano que acaba por se humilhar e pedir desculpas ao patrão, mesmo sabendo que este está lhe enganando.
CAP 11 - O SOLDADO AMARELO : um ano após ser preso e espancado pelo soldado amarelo, Fabiano o reencontrará na caatinga. Embora deseje vingança, acaba submetendo-se a ele e ensinando-lhe o caminho. Percebe-se que, fisicamente, o soldado é mais fraco do que Fabiano -"O soldado, magrinho, enfezadinho, tremia". Todavia é por ele respeitado por representar o governo -"Governo é governo".
CAP. 12 - O MUNDO COBERTO DE PENAS : Fabiano e sua família preparam-se para partir pelo prenúncio de outro período de seca, que é anunciado pelas aves de arribação. Fabiano atira nos pássaros para garantir alimento para a família para os próximos dias.
CAP. 13 - A FUGA : partida da família de Fabiano. A seca começa a se tornar forte e, não tendo como resgatar sua dívida junto ao patrão, resolvem fugir. Fabiano nutre esperanças quanto ao futuro dos garotos, estudando e morando numa cidade grande ; sinha Vitória pensa um dia poder dormir em uma cama de couro. Mistura de sonhos, descrenças e frustrações em que termina o romance. Mas são somente ilusões -"O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinha Vitória e os dois meninos. "
  ESTRUTURA DA NARRATIVA
 I - TEMPO
A ação ocorre entre dois períodos de estiagem (primeiro e último capítulo). Embora haja algumas referências cronológicas presentes na obra, há uma diluição do tempo cronológico para o predomínio do psicológico.
II - ESPAÇO
Sertão nordestino
III - NARRADOR
Narrado em terceira pessoa, é o narrador que se interioriza nos pensamentos dos personagens para revelá-los ao leitor, já que os personagens possuem uma linguagem precária. Assim, o texto fica estruturado no discurso indireto livre (predominante), onde o narrador "toma posse" do discurso dos personagens para expô-los, evidenciando seus medos, desejos, raivas e frustrações através de monólogos interiores. O foco narrativo ganha destaque ao converter em palavras os anseios e pensamentos das personagens.
 IV- PERSONAGENS
CONSIDERAÇÕES GERAIS :
O grau de verossimilhança na caracterização de Fabiano e sua família é muito grande. A brutalidade da seca faz com que os personagens também se embruteçam, daí a freqüente recorrência do autor ao compará-los com animais, revelando seus aspectos rústicos. Há uma evidente zoomorfização das personagens. Elas não falam, mas grunhem, rosnam, gesticulam e falam palavras soltas. Cabe ao narrador interpretar e expor os seus desejos e anseios.
FABIANO
CAP. 1 - MUDANÇA : uma família sertaneja fugindo da seca. Compõe a família : Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, os dois filhos do casal caracterizados por menino mais novo e menino mais velho, a cachorra Baleia e um papagaio, que morrera para alimentar a família. Como o próprio título sugere, a situação da seca acaba por tornar as pessoas (vidas) em amargas (secas), como no episódio onde o menino mais velho senta-se no chão exausto da caminhada. Fabiano tem uma reação totalmente hostil :"-Anda, condenado do diabo...", pois o pai possuía "o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça.".SINHA VITÓRIA
Mais astuta do que o marido, é ela que percebe as trapaças do patrão (cap. 10) e também o início da estiagem (cap. 12). Possui um espírito inconformado com sua situação, tendo como desejo de consumo uma cama de couro igual à do seu Tomás da bolandeira.
Seu inconformismo faz com que ela se transforme em uma pessoa queixosa, sendo impaciente com os filhos e um tanto quanto amargurada.
OS MENINOS
A ausência de nomes e de caracteres específicos acaba por projetá-los ao anonimato, formulando assim um caráter de denúncia. Parafraseando João Cabral de Melo - São tantos severinos / Iguais em tudo na vida.
Enquanto o mais novo vê no pai um ídolo, um modelo a ser seguido, a mais velho já é curioso, possui o desejo de saber.

BALEIA
A conotação do nome Baleia ganha dois sentidos. Além de ser uma ironia requintada feita pelo autor, figura também como uma compensação pela carência d'água.
Ela é humanizada em vários momentos, tornando-se um membro da família, sempre se solidarizando com esta ( o episódio do preá e do consolo que dá ao menino mais novo quando este cai do bode e fica triste). Sua solidariedade é desinteressada, pois além de ser bastante enxotada, fica sempre com os ossos, contentando-se com o pouco.
SEU TOMÁS DA BOLANDEIRA
Personagem que só aparece por meio de evocações (pois já havia morrido), é tido como referência para Fabiano e sinha Vitória . Enquanto Fabiano admira sua linguagem, tentando imitá-la de forma desconexa, sinha Vitória deseja uma cama de couro igual à sua. Dessa forma, ele representa as aspirações de mudança do casal.
O SOLDADO AMARELO, O DONO DA FAZENDA E O FISCAL DA PREFEITURA
Os três personagens são representantes das instituições sociais que oprimem Fabiano . O soldado - corrupto, oportunista e medroso ; o dono da fazenda- exigente, ladrão e opressor ; o fiscal da prefeitura intolerante e explorador.
ESTILO E LINGUAGEM
Há uma certa comparação entre a linguagem do autor de São Bernardo e Machado de Assis. Isso decorre devido ao burilamento da linguagem de Graciliano, clássica. O despojamento de adjetivos é eminente, centrando-se o autor no substantivo (criteriosamente selecionados). Os períodos são curtos, o que realça um estilo conciso, "seco". Graciliano ainda se utiliza de expressões regionais, adequando-os à sintaxe tradicional. A ausência de diálogos se faz presente devido à uma ausência vocabular por parte das personagens, que se comunicam através de onomatopéias, exclamações, resmungos e gestos , enfatizando a animalização dos personagens, que são marginalizados também pelo fator lingüístico. Por esse fator, há a predominância do discurso indireto livre, onde o narrador, através de monólogos interiores, ordena logicamente o discurso dos personagens.

BIBLIOGRAFIA
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro, Record, 1998.
CASTRO, Dácio Antônio de. Roteiro de Leitura : Vidas Secas. São Paulo, Ática, 1997.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo, Cultrix, 1988

Boas Práticas Pedagógicas: A DIFÍCIL ARTE DE SIMPLIFICAR TEXTOS CIENTÍFICOS



Textos Científicos são escritos numa linguagem de difícil compreensão para o grande público. Torna-se necessário simplificá-los tornando-os mais acessíveis.
Observem abaixo os estágios desta SIMPLIFICAÇÃO OU RESUMO:

TEXTO ORIGINAL:

O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum (Linnaeus), isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifira (Linnaeus). No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar.

  •       PRIMEIRO ESTÁGIO DA SIMPLIFICAÇÃO:
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

  •   SEGUNDO ESTÁGIO DA SIMPLIFICAÇÃO:
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.
  •       TERCEIRO ESTÁGIO DA SIMPLIFICAÇÃO:
   Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.
  •       QUARTO ESTÁGIO DA SIMPLIFICAÇÃO:
  Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.
  •    ESTÁGIO FINAL DA SIMPLIFICAÇÃO:
      Rapadura é doce, mas não é mole, não.

·      O dissacarídeo de fórmula C12H22O11 , obtido através da fervura e da evaporação de H2O =  A sacarose =  O açúcar.
·      Caule da gramínea Saccharus officinarum (Linnaeus) =  cana de açúcar
·      Isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas = que ainda não tenha passado pelo processo de purificação .
·      Apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura refino  =  blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal =  sob a forma de pequenos blocos =  em tijolinhos.
·      O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum (Linnaeus), isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas  = Açúcar não refinado.
·      Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel = Açúcar mascavo.
·      Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível = RAPADURA.