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terça-feira, 5 de outubro de 2010

"ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA", por Olavo Bilac


"ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA"


A expressão "Última flor do Lácio, inculta e bela" é o primeiro verso de um famoso poema de Olavo Bilac, poeta brasileiro que viveu no período de 1865 a 1918. Esse verso é usado para designar o nosso idioma: a última flor é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam (falando e escrevendo errado), mas que continua a ser bela.

LÍNGUA PORTUGUESA
Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


OUTROS textos e POEMAS SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. "Fabricou Salomão um palácio..." E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa . Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

["Livro do Desassossego", por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa.]


SONETO À LÍNGUA PORTUGUESA
(Publicado no Livro Gota de Orvalho, de Waldin de Lima, poeta gaúcho, no ano de 1989)

Havia luz pela amplidão suspensa
no azul do céu, vergéis e coqueirais...
e o Lácio, com fulgores divinais,
abrigava de uma virgem a presença...

Era um castelo de ouro, amor e crença,
que igual não houve, nem haverá jamais...
Onde os poetas encontraram ideais
na poesia nova, n'alegria imensa...

A virgem era a Língua portuguesa,
a mais formosa e divinal princesa,
vivendo nos vergéis de suave aroma!

Donzela meiga que, deixando o Lácio,
abandona os umbrais do seu palácio,
para ser de um povo o glorioso idioma!...


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Boas Práticas Pedagógicas - Atividade Proposta: Crie a sua Fábula

Após a leitura de uma Fábula e a exploração dos elementos que a compõem, sugira a criação de uma Fábula.

Lembre-se:
  • Toda Fábula tem um nome;
  • Toda Fábula tem animais como personagens;
  • Crie os personagens;
  • Dê nome a eles;
  • Esses personagens representam seres humanos, logo são antropomorfizados, ou seja, agem como seres humanos;
  • Estabeleça diálogos curtos;
  • Toda Fábula tem uma moral.

Sugestões:
  • Era uma vez ...
  • Todos os dias ...
  • Certa vez ... Certo dia ...
  • Um belo dia ...
  • No dia seguinte ...
  • Finalmente ...
  • E, por fim ...
  • Afinal, ...
Boa leitura!!!


O escritor Mário Prata ressalta que "[...] não existe nada melhor do que inventar ... criar histórias". 

Selma Cristina Freitas Pupim

domingo, 26 de setembro de 2010

Há sempre um copo de mar para o homen navegar!

A 29ª Bienal de Arte é uma das instituições culturais mais importantes do mundo. Sua relevância e impacto no desenvolvimento das artes plásticas brasileiras são reconhecidos internacionalmente. A  exposiição tem por objetivo estabelecer instrumentos para a internacionalização da arte contemporânea brasileira. O Programa Brasil Arte Contemporânea prevê um amplo leque de ações que serão implementadas por meio de convênios a serem firmados com instituições públicas, bem como entidades de direito público e privado. Desse modo, a Bienal contribui para o desenvolvimento e a valorização da cultura nacional, ampliando, assim, seu compromisso com a sociedade. E nós, professores e coordenadores da Rede Municipal de Ourinhos estivemos presente na 29ª Bienal de Arte para prestigiar o tão importante evento.


Selma Cristina Freitas Pupim

Boas Práticas Pedagógicas: Estratégias de Leitura


“A Hora da Leitura deverá ser um momento de lazer,
um momento agradável, de descontração”

“A leitura é um instrumento privilegiado na construção de conhecimentos, toda leitura enriquece”

·        Formular previsões sobre o texto a ser lido
·        Formular perguntas sobre o que foi lido
·        Esclarecer possíveis dúvidas sobre o texto
·        Resumir as idéias do texto - interpretação

Isso se resume em:
·       Antes, durante e depois da leitura – toda leitura deve ser planejada

Leitura compartilhada: professor e alunos devem ler o texto, primeiramente em silêncio e depois em voz alta;
Em seguida faz-se um resumo (oral) do que foi lido e esclarecimentos do que foi lido;

Exemplo: Conto “Violino Cigano”

     Antes da leitura   (ler as entrelinhas – análise das saliências grafo-visuais)

1.     Anotar no caderno nome e autor do conto
2.     Quem pode explicar o que é “um conto”?
3.     O que o título sugere? Do que vocês acham que este texto vai tratar?
4.     Quem escreve, homem ou mulher?
5.     O que você sabe sobre “ciganos”?

Durante a leitura – (ler as linhas)


1.     Atenção na narrativa – assumir um papel ativo na leitura;
2.     Personagens;
3.     Espaço – local em que se passa a história;
4.     Tempo – época, duração da história;
5.     Vocabulário – anotar no caderno as palavras desconhecidas

Pós – leitura – (ler por trás das linhas)

1.     Conversa sobre o texto;
2.     O que você sabia sobre contos?
3.     O que você aprendeu ao ler o conto?
4.     Faça um resumo do conto (10 linhas);
5.     Quantos personagens tem no conto?
6.     Cite as características físicas e psicológicas de cada uma delas;
7.     Você ficou satisfeito com o final da história ou daria um outro final?

Reflexão

     Qual é a mensagem que podemos tirar do conto?
         R – O conto nos mostra que o ser humano é capaz das maiores atrocidades em benefício próprio, que a verdade sempre vem à tona e os opostos do sentimento: o amor da mãe que  renuncia a própria vida pela filha e a inveja da irmã que chega a matar.
      

“A leitura nos enriquece e de toda leitura se tira algum proveito”

Selma Cristina Freitas Pupim

Eu amo você, Língua Portuguesa


Às vezes sinto-me tão feliz e expresso minha felicidade ao seu lado, companheira amiga, mistério que estou sempre descobrindo. A felicidade tem corpo e cor e pulsa no meu coração e corre a se encontrar com você, então a felicidade vira palavra e eu sofro um pouco porque não sei qual a melhor palavra para expressar o que sinto...Alegria? Contentamento? Entusiasmo?
Certos momentos, você sabe, inunda-me uma tristeza sem fim. Mar cheio de ondas, covas profundas de dor e melancolia, então eu olho ao redor e vejo-me tão só, tão só que nem palavras tenho. Mas até nessa angústia completa sinto a necessidade de que você esteja por perto. É a primeira coisa que procuro: nomear a minha dor.
Em outro momento estou inventivo e encontro mil planos para melhorar o mundo, para fazer a vida dos outros mais feliz, para resolver todos os problemas, para que todos se sintam mais completos e verdadeiros. Nessas horas, também você está em mim e eu mergulho nas suas entranhas e tento levar você, a sua riqueza, até o outro que me escuta. Às vezes é tão difícil!
Faltam exércitos de grandes pensadores, como existem na língua inglesa ou francesa. Faltam muitos poetas, filósofos, sábios, cientistas pensando em português. Expressar raciocínios mais elaborados em português é um verdadeiro desafio. É preciso ter paciência...Você é um diamante, que vai ganhando brilho na lapidação de sua história. História de amor, que você faz com os que aprenderam a amar o seu idioma nas dificuldades de quem você é e de quem nós somos.
Assim eu amo e amar é dizer que se ama e eu amo em português. Não consigo me imaginar dizendo "I love you" para o ser amado e isso ter o mesmo gosto, a mesma sensação boa de amor que é dizer, mesmo com erro gramatical: "Eu te amo, você é o meu amor!"E e isso que digo agora, minha língua mãe, em que aprendi a ser quem sou: Eu te amo, você é o meu amor.

(Landeira, José Luís e Mateos, João Henrique)

Boas Práticas Pedagógicas: Reescrita - O Reencontro


 
Leiam o início do conto abaixo, depois completem a história como desejarem.

De tarde, ao dobrar uma esquina, aquele encontrão. Sabrina nem reparou nele, que foi sua grande paixão. Leonardo também não reparou nela.
Há anos, esteve a ponto de disparar uma bala no crânio pela beleza de Sabrina. E ela, pelo amor que sentia por ele, quase abriu os pulsos com uma faca de cortar mortadela.
Mas, nada disso aconteceu, apesar da louca paixão que um sentia pelo outro, não houve tiro nenhum e Sabrina não cortou os pulsos.
Passaram-se quarenta anos e, de repente, na dobra de uma esquina, aquele esbarrão. Leonardo nem reparou em Sabrina e pensou.......

Há duas opções para continuar:

a)     Imaginar o passado do casal e criar um final surpreendente para a história.
b)    Contar o que ocorreu nesse encontro, depois de o casal não se ver por quarenta anos. Nesse caso, escolham uma das frases abaixo:
·        Reconheceram-se e ...........;   O reencontro.......
·        Não se reconheceram e......;   Os anos passam e as pessoas......
c)     Dêem um título ao conto de acordo com a história.
  
Atividade em duplas:

Leiam o início do conto abaixo, depois completem a história como desejarem.

De tarde, ao dobrar uma esquina, aquele encontrão. Sabrina nem reparou nele, que foi sua grande paixão. Leonardo também não reparou nela.
Há anos, esteve a ponto de disparar uma bala no crânio pela beleza de Sabrina. E ela, pelo amor que sentia por ele, quase abriu os pulsos com uma faca de cortar mortadela.
Mas, nada disso aconteceu, apesar da louca paixão que um sentia pelo outro, não houve tiro nenhum e Sabrina não cortou os pulsos.
Passaram-se quarenta anos e, de repente, na dobra de uma esquina, aquele esbarrão. Leonardo nem reparou em Sabrina e pensou.......

Há duas opções para continuar:

a)  Imaginar o passado do casal e criar um final surpreendente para a história.
b) Contar o que ocorreu nesse encontro, depois de o casal não se ver por quarenta anos. Nesse caso, escolham uma das frases abaixo:
·        Reconheceram-se e ...........;   O reencontro.......
·        Não se reconheceram e......;   Os anos passam e as pessoas......
c)  Dêem um título ao conto de acordo com a história.

Selma Cristina Freitas Pupim